21 de fevereiro de 2016

Pausa para um Champagne...


Parâmetro, referência, exemplo... Todas essas palavras podem ser utilizadas quando nos referimos à Champagne. 
Espumantes de diversas partes do mundo são comparados ao místico sabor das borbulhas provenientes de vinhedos localizados somente a 50 km leste de Paris, compreendendo o Vallée de la Marne, a Montagne de Reims e a Côte de Blancs.

Champagne pode ser considerada uma das mais complexas zonas de produção vitivinícola do mundo: 299 "Casas" ou Maisons, 67 cooperativas e mais de 15.000 produtores (pouco mais de 3.000 vendem o que produzem). Essa relação entre as grandes casas e pequenos produtores rende bons negócios para ambos, pois resumidamente, 90% das terras cultiváveis pertencem aos pequenos produtores, que vendem parte ou totalidade da produção. Ao mesmo tempo, 80 % da bebida é produzida pelas grandes casas de Champagne através da compra da produção dos pequenos produtores. Com o quilo da uva classificada como grand cru batendo os 6-7 euros, digamos que é um bom negócio, sendo que a quantidade de uva em uma garrafa de 750 ml chega a 1,2 quilos.

Portanto, quando um pequeno produtor cruza o nosso caminho, mesmo que venda uma parte de sua produção para uma grande casa de Champagne, devemos prestar atenção em seu produto próprio; ele é fruto dessa maravilhosa simbiose entre o homem e a terra, sem ninguém "atravessando" o caminho. É algo do tipo: "-Ei, veja o vinho que fiz aqui com minha plantação e meu cuidado!".

Baslet Penet comprou as primeiras parcelas de vinhedos durante a época da Revolução Francesa, e inicialmente vendia sua produção aos negociantes. O desejo de elaborar o próprio Champagne veio após a crise de 1929, quando o sucessor Louis Gilbert Penet torna-se o chamado Récoltant - Manipulant (produtor que elabora e vende o próprio Champagne). Nesta época escavam adegas subterrâneas a 18 metros de profundidade, para o amadurecimento dos vinhos. 

Seu filho, Jean Marie Penet cria, na sequência, a marca de Champagne "Jean Marie Penet", que finalmente torna-se "Lepreux-Penet" após a união de sua filha com Jean-Paul Lepreux.
Atualmente Jean Paul Lepreux toca a vinícola em conjunto com o genro François Barbosa (filho de portugueses, com parte da família em São Paulo).

Recentemente tive a oportunidade de degustar um vinho produzido pelo Monsieur Lepreux...

O Champagne Lepreux-Penet Bulles Précieuses Grand Cru é um blend de Pinot Noir (66%) e Chardonnay (34%), de vinhedos da mais alta gama, classificados como Grand Cru, de Verzy e Verzenay. Colhidos à mão, os cachos inteiros são submetidos à prensa e a fermentação ocorre em tanques de aço inox com temperatura controlada. O processo clássico de elaboração e amadurecimento de Champagne ocorre nas adegas subterrâneas, escavadas em pedra calcária, onde a temperatura não ultrapassa os 9°C. Com 6-8 g/L de açúcar, é classificada como Brut (sim, abaixo de 12 é brut- mas isso discutiremos em outra oportunidade).

Nota de degustação:

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Visual: coloração amarelo palha, com bolhas pequenas e numerosas

Olfativo: fragrante aroma floral, com uma notinha cítrica (lima) e um brioche elegante, tipo croissant

Gustativo: textura cremosa, com uma acidez cortante, característica dos (bons) Champagnes. Após um tempo de copo e elevação da temperatura, alguns sabores que remetem a fruta seca e mel. Penso que uma parte do vinho (ou mosto) teve contato com barricas de carvalho... a conferir. A persistência na boca acompanha o corpo, média alta.


Gostou? Ficou curioso?

A Lepreux -Penet elabora outros estilos, desde brut e extra brut, passando por rosé, millésime e demi -sec. Porém não existe uma grande importadora que trabalhe com esse produto no país, cujo preço facilmente ultrapassaria 300 reais... (em média 16-18 euros na Europa, junto ao produtor).

Importadoras interessadas, favor contatar a representante da Lepreux-Penet no Brasil, Karina Nocais. Contato: pelo telefone (011) 982354007 ou e-mail: karina@ligareconsult.com.br.

Ah; se você procurar em guias de avaliação mais manjados provavelmente não vai encontrar...