18 de janeiro de 2016

Diary of a madman for wine in Mendoza - Day 1

Vales vitivinícolas da Argentina (fonte: Wines of Argentina)
Só para localizar o leitor, vou discorrer rapidamente sobre as regiões vinícolas da Argentina: Basicamente são três grandes regiões: Norte (onde está Salta, famosa por seus vinhedos a 3.000 metros de altitude), Cuyo (onde se localiza Mendoza, responsável por 80% da produção do vinho argentino) e a fria e isolada Patagônia no extremo Sul (onde ficam Neuquén e Rio Negro).

O objetivo de nossa viagem foi especificamente a região de Mendoza, que recebe o nome a partir da cidade homônima.

Região de Mendoza: plana e semiárida
Agora...imagine um local deserto, com seus míseros 200 mm de pluviosidade ANUAL, onde nada (ou quase nada) cresceria... Pois é, essa colcha de retalhos plana e semiárida fica fácil de entender principalmente quando você faz o trajeto de avião entre Buenos Aires e Mendoza. A cidade e a vitivinicultura floresceram graças aos rios formados pela água de degelo dos Andes. Na cidade você pode observar vários canais com água, a céu aberto, responsáveis pelo verde das ruas.
Cidade de Mendoza: plana, planejada e arborizada, graças aos "canais"

Para entender a localização dos vinhedos de Mendoza, vamos pensar numa grande "parede" que são os Andes, servindo como "pano de fundo" desse deserto. Nos locais onde passam os rios Mendoza e Tunuyan, a atividade vitivinícola prospera. Destes, os mais importantes são Luján de Cuyo, Maipu e Valle do Uco.



O primeiro dia do programa oficial iniciou-se com um Seminário no belo centro de visitantes da BODEGA DOÑA PAULA sobre "Malbec de diferentes terroirs", ou seja, como a casta se comporta em diferentes solos, altitudes, climas... A bodega localiza-se em Ugarteche, uma subregião, entre os rios.
Doña Paula


O engenheiro agrônomo Martin Kaiser fez uma explanação técnica bastante aprofundada sobre o assunto, ao mesmo tempo em que degustávamos amostras dos vinhos produzidos em cada local, para fins de estudo e não comercial.

Experimentos Doña Paula: Malbecs de diferentes alturas, latitudes e solos

Impressionante como a Malbec, sem perder seu perfil frutado, tem expressões diferentes de aromas e sabores, de acordo com o solo e o clima (por ex., minerais; especiarias, floral); Martin explicou que o estudo do solo é feito através de aparelhos especiais que fazem a varredura de superfície em toda área, e baseado nestas informações, elaboram um verdadeiro mapa de microterroirs. 




A Bodega, desde a sua criação em 1990, se preocupa com essa investigação de terroirs. Ganharam minha admiração e respeito.

Para finalizar, Martin apresentou o Doña Paula 1350, safra 2013, corte de Cabernet Franc (50%), Malbec (45%) e uma surpreendente Casavecchia (5%), uva que faz parte de alguns testes recentes. Potente e equilibrado em acidez, taninos e álcool, com belo futuro pela frente. Quem traz a Doña Paula para o Brasil é a importadora Inovini 


Septima: arquitetura integrada à paisagem

Na sequência, visitamos a BODEGA SEPTIMA, onde a arquitetura é um show à parte

Pertencente ao grupo Codorniu, a Septima localiza-se na região de Agrelo. Eu conhecia (e gostava) dos vinhos da bodega, e já tive a oportunidade de escrever sobre ela aqui no blog (set/2014). 

Visual da sala de almuerzo
Degustamos 4 vinhos e meu destaque foi para o Septima Malbec 2014; a utilização de barricas de terceiro uso por 6 meses continua trazendo elegância ao conjunto de bom custo beneficio.

Outro destaque fica para o almoço com um visual arrebatador; sem dúvida um belo programa para quem for a Mendoza. a linha da Septima é trazida pela Todovino / Interfood









Seguindo viagem pela região, visitamos a FINCA DECERO. O nome é providencial, pois a bodega foi criada "Do Zero" (Decero) literalmente, em uma terra outrora árida e desolada aos pés dos Andes, onde cresciam somente plantas rasteiras em meio a minúsculos vórtices de vento chamados remolinos (nossos redemoinhos). 

Finca Decero

Trabalhados "amano", os chamados vinhedos Remolinos produzem vinhos de castas que se adaptaram harmoniosamente à região.
Destaque na degustação para o premiado Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012, com taninos imponentes porém sedosos, aliados à boa acidez. Elegante conjunto, com potencial de evolução. Aliás, junto com a Cabernet Franc, a Petit Verdot é uma casta que tem tudo para crescer mais na Argentina, na minha opinião. Vamos observar. Não tem importador no Brasil.




Na continuação do programa, a BODEGA CASARENA, onde fomos recepcionados pelo simpaticíssimo enólogo Bernardo Bossi Bonilla, com direito a degustação seguida de tour pela vinícola.

Entrada da Casarena
Impressionou-me toda a linha, que em parte eu conhecia. No Restaurante MoDi, São Paulo, temos o 505 Vineyard Malbec 2013, premiado pela Revista Decanter, de excepcional custo benefício. A novidade é que agora o Malbec pode vir em formato Bag-in-box. 

Malbec bag- in- box

Linha 505: custo benefício

Os vinhos do segmento Jamilla's single vineyard 2012 (100% Malbec) e Lauren's single vineyard 2012, demonstraram muito bem as diferentes expressões da Malbec. Em solo pouco profundo, com predomínio de calcário, o Jamilla's mostra-se bastante elegante e mineral, voltado ao paladar europeu. Em solo argiloso, o Lauren's evidencia mais potência, com aromas de frutas negras e especiarias (paladar americano). Na linha Lauren's temos ainda um Cabernet Franc redondinho e um equilibradíssimo Petit Verdot. Completando a degustação, a linha Ramanegra, um degrau acima da 505 e os TOPs DNA Cabernet Sauvignon, DNA Malbec e Icono, todos 2011. Os vinhos da Casarena são trazidos pela importadora Magnum.



Como disse anteriormente, a degustação foi seguida de um rápido tour pela vinícola até a sala de fermentação, onde barricas de carvalho serviam de mesa para a pequena feira com 5 produtores diferentes, cada um com 3 vinhos a serem degustados. Um deles, a Lagarde, eu já havia degustado no dia anterior.


Destaques:
  • Kaiken: Kaiken Ultra Cabernet Sauvignon 2012- fruta doce e taninos potentes em equilíbrio
  • Chakana: Ayni Malbec 2013 - muita fruta e mineralidade; elegante
  • Staphyle: Bonarda 2011 - fruta negra (ameixa), sem herbáceo, Interessante
  • Escorihuela Gascón:Vognier 2015 - cítrico (lima) e floral; 10% passa em madeira. Muito bom

mesa de jantar da Casarena

Para finalizar, jantar (estaria mais para cena, como dizem por lá) no maravilhoso restaurante da Casarena, junto com todos os produtores e com direito a aula de ampeleologia (estudo das folhas das parreiras) em campo com Bernardo e Juan Roby (Lagarde)


Bernardo Bossi, este blogueiro e Deco Rossi, RP da Wofa

Folha de Malbec




































Ufa!!!E tinha sido só o primeiro dia... 







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