15 de novembro de 2015

Filipa Pato


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Você a conhece? Ouviu falar dos vinhos do pai dela, referência em Portugal, mais precisamente na região da Bairrada?

Ora pois, Filipa é filha de Luis Pato, famoso enólogo (digo, engenheiro, como gosta de ser chamado), "embaixador" da casta Baga, uva tinta que ganhou nova roupagem na família Pato. 
Esta variedade, quando colhida antes de atingir o ponto ideal de maturação, pode gerar vinhos extremamente tânicos, característica acentuada quando ocorre a fermentação (frequente) em conjunto com o engaço.

Após se formar engenheira química pela Universidade de Coimbra, Filipa Pato estagiou em Bordeaux, Argentina e Austrália. Retornou a Portugal em 2001, quando iniciou um projeto pessoal na região, com estudo de locais de cultivo para as variedades locais.

Engana-se quem acredita que o começo foi fácil para Filipa; o pai lhe deu o sobrenome (que certamente ajudou), mas nenhuma vinha ou terra. Teve que começar do zero, desde a investigação do local e a compra de uvas. Mas assegura que foi a forma de encontrar os melhores vinhedos.
Em 2005 produziu seus primeiros vinhos, e no mesmo ano, em conjunto com o pai, elaborou o FLP, baseado em técnica de crioextração. Sempre na vanguarda, a mente aberta de Filipa permite que tradição e inovação se complementem.

Pois bem, tive a oportunidade de conhecer Filipa Pato e seu igualmente simpático marido Willian Wouters (chef e sommelier belga) em um jantar harmonizado no Restaurante Taberna 474, organizado pela incansável Cristina Neves. Por sinal, o Taberna 474 é uma excelente dica para um almoço ou jantar descolados, pela excelente qualidade e bom preço.

Durante nossa conversa, pude revelar que estava na vinícola de seu pai em 2011, e o mesmo não pôde me receber pessoalmente, pois havia saído para acompanhar o nascimento do neto, filho de Filipa. Dentre histórias e risadas, comparamos nossos nomes com bom humor: Ela, Filipa Campos Pato. Eu, Felipe Campos. 

No jantar inteiro, chamou-me a atenção a disposição de Filipa; explica seus vinhos várias vezes, com a mesma paixão, sem frescura, afetação ou "maquilhagem".

Ostras
O Primeiro prato servido foi a dupla de ostras frescas, e o vinho escolhido foi o Filipa Pato 3B rosé, vinho conhecido de longa data, sempre com boa aptidão para frutos do mar (corte de Baga 70% e Bical 30% - o terceiro 'B" fica por conta da Bairrada). Boa harmonização, porém na minha experiência, a afinidade fica ainda melhor com camarão, lulas e polvo acompanhados de molho suave, pela característica mais encorpada do vinho. 





Cru de sardinha

Na sequência, o Cru de sardinha. Bem elaborado, o prato tinha como componente importante a gordura.
Além das notas frutadas de lima e maçã, a mineralidade e a acidez do belo branco FB Bical e Arinto 2014 "cortaram" o prato com elegância, amplificando os sentidos enogastronômicos. Muito bom!







O Polvo à tasquinha foi o prato que veio a seguir, e para mim, o melhor!!
Servido no ponto certo, com batatas e cebola, esse polvo necessitava de um vinho branco à sua altura no quesito corpo. E achou o par perfeito com o complexo Nossa Calcário Branco 2013.
Filipa conta que a primeira palavra pronunciada quando degustavam esse vinho era: "Nossa!"- Então o nome estava escolhido!(detalhe técnico: 100% uvas Bical provenientes de vinhas de mais de 25 anos, fermentado em barricas).
Polvo à tasquinha




E seguiram-se os tintos...

O primeiro tinto, FP Baga 2014, é elaborado com a tinta Baga proveniente de vinhas entre 15 e 80 anos. Não passa por madeira, fermentando em lagares e estagiando em inox por 6 meses. Mantém, portanto, o caráter da varietal, frutado, tanto nos aromas quanto na boca, onde possue uma acidez muito bem equilibrada. Atenção ao preço desse vinho, por volta de R$60,00!!






Costela assada

A Costela Assada com Farofa de Amêndoas, uma delícia, foi bem escoltada pelos tintos, porém aqui o vinho frutado perde um pouco de terreno... Nada que não foi resolvido com a chegada do inicialmente tímido no aroma (recomendo aerar antes de servir por 30 minutos) colossal Nossa Calcário 2010. Este vinho é o símbolo do regate de Filipa às tradições locais; elaborado com uvas de videiras muita antigas da região, colhidas à mão, sem recursos de herbicidas. A vinificação é feita em lagar de carvalho, estagiando mais 18 meses em barricas de carvalho francês (20% novas, 80% usadas). Estupendo após um tempo no copo, com notas complexas de fruta vermelha muito madura, aromas terciários de couro, defumados e se esperasse, com certeza o vinho evoluiria mais, muito mais...



Para finalizar, o saboroso vinho doce FLP 2008, com somente 10% de álcool, fácil de beber, com uma leveza e acidez impressionantes, priorizando o perfil frutado (maçã). Excelente opção para sobremesas não muito doces, à base de frutas, ou mesmo queijos.


E para carimbar o perfil inovador aliado às tradições locais, Filipa brindou-nos com seu raro Espírito de Baga, feito como os vinhos do Poro, com pisa a pé em lagares, e depois de alguns dias a fermentação sendo interrompida com aguardente de... Baga!!(Filipa confessa que procurou muito até achar a aguardente de Baga correspondente ao mesmo ano).
Produzidas somente 1000 garrafas, que evidenciam todos os aromas e sabores de frutas vermelhas e negras em geléia, como amora, groselha, cereja, ameixa, tabaco, especiarias...



Finalizando, se estiver procurando exemplos de vinhos que são um espelho do seu produtor, sem "maquiagem" ou disfarces, e que traduzem sua paixão pela "terrinha" e cuidados com as uvas, minha sugestão é que você experimente os vinhos da Felipa. Não vai se arrepender...
Importados pela Casa Flora.




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