30 de dezembro de 2014

Champagne e um escudeiro de peso...

Continuando o papo das borbulhas, gostaria de mencionar um Champagne que degustamos recentemente e chama atenção pela sua qualidade e pelo preço:

Jean Pierre Fleury Brut: biodinâmico, este Champagne tem cor amarela de média intensidade, com aromas que remetem a fruta tropical muito madura, própolis, mel e rapadura, além dos habituais aromas de panificação e uma interessante nota oxidativa no fim. Na boca é complexo, com excelente acidez e corpo. Pede comida!!R$ 195,00 na de la Croix


O "escudeiro" de peso nada mais é do que um... Italiano!!!

Ferrari Perlé Nero 2004: proveniente da DOC Trento, no norte da Itália, este espumante (que não tem associação com os carros), feito pelo método clássico apresenta aromas complexos, com tostados, frutas secas e baunilha, com alta acidez e excelente corpo na boca, aliados à cremosidade.
Preço:R$ 345,45 na Decanter; acho que deve ser reservado para ocasiões muito especiais.


Uma dica: se quiser tomar um bom Champagne por um preço menor, não enxergo melhor custo benefício do que a Champagne Dampierre Brut Grand Cuvée, que é encontrada a R$ 130,00 no site da Todovino/Interfood. Detalhe importante: não apresenta o mesmo vigor/acidez de um ou dois anos atrás, mas está excelente para ser bebida já. A importadora descontinuará a importação desta produto.

23 de dezembro de 2014

As tradicionais borbulhas de fim de ano...

Fim do ano é festa... Pode não ter sido um ano "tão bom" do ponto de vista financeiro para muitos brasileiros, mas... FESTA é FESTA!

Como já é tradição, a equipe de degustadores da Revista Menu se reuniu no Restaurante North Grill (Shopping Frei Caneca) para degustar 60 amostras de espumantes, com preços variando de R$ 29,80 a R$ 345,45. Os espumantes cuidadosamente selecionados por Suzana Barelli contemplavam tanto os elaborados pelo método clássico (Champenoise) como pelo método Charmat, de diferentes nacionalidades, incluindo vinhos brasileiros. Todos foram degustados às cegas, e como sempre tivemos resultados surpreendentes; você pode conferir o painel na Revista Menu de Dezembro, que já está nas bancas.

E enquanto você não "degusta" a Menu, coloco aqui alguns exemplares que me chamaram a atenção:

Salton Evidence: produzido na Serra Gaúcha pelo método clássico, com 70% de Chardonnay e 30% de Pinot Noir. De cor amarelo palha, no nariz traz notas de frutas brancas e especiarias. Bastante equilibrado, com boa acidez. Chamou a atenção pelo custo benefício: R$ 50,00, na Salton.









Lírica Brut: outro brasileiro, produzido na região de Pinto Bandeira pelo método Champenoise; corte de Chardonnay com Gouveio, verdeal na cor, com notas cítricas no aroma. Na boca é simples, porém equilibrado, bastante agradável. Já foi destaque no ano passado. Por R$ 65,45 na Decanter.









Freixenet Cordon Negro: representante de um dos gigantes produtores de Cava. No aroma, notas de casca de fruta cítrica e erva doce; paladar um pouco mais rústico, mas bastante fresco, com boa acidez. R$ 76,50 na Qualimpor.












Codorniu Seleccion Raventós: outro cava de boa relação custo benefício (R$ 85,90 na Todovino/Interfood), bastante correta e com boa acidez, apesar de faltar complexidade.











Castellroig Reserva Brut Nature: mais complexa, este Cava apresenta aromas de biscoito, frutas secas e baunilha. No paladar, a acidez corretíssima é bem equilibrada ao conjunto, com longa persistência. R$ 131,00 na Grand Cru.




Luis Pato Bruto 2010: um velho conhecido e apreciado há tempos. Elaborado com 90% de uma uva tinta, a baga ("domada" com maestria por poucos, como Luis Pato) e 10% de Maria Gomes, este espumante português da Bairrada tem cor rosada de média intensidade, complexidade aromática (remete a especiarias, couro novo e uma nota vegetal/silvestre) e boca bastante equilibrada. Muito gastronômico.
Sai por US$ 39,90 na Mistral.






Murganheira Rose Bruto 2007: da região de Távora -Varosa, norte de Portugal, vem este excelente rose, que utiliza Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional para compor o blend. Cor salmão, com aromas que remetem a frutas vermelhas, bala toffe (caramelo) e fermento. Conjunto equilibrado, com longa persistência e também bastante gastronômico. R$140,00 na Epice.



São diferentes faixas de preço, mas todos você pode beber com grande prazer! Mais dicas de espumantes para as festas no próximo post! Feliz Natal!!!

13 de dezembro de 2014

Vinho bom é vinho caro? E vinho caro, é vinho bom?

fonte: colunasaboresaber.net


Muitos amigos me abordam para saber minha opinião sobre o preço dos vinhos no Brasil. Alegam que não conseguem beber bons vinhos porque estão caros. Concordo em parte.

Os vinhos, assim como tudo no Brasil atualmente, estão com valor elevado. É o chamado Custo- Brasil, decorrente em grande parte da nossa alta carga tributária. Diferente da Europa, onde é taxado como alimento, no Brasil o vinho é classificado como artigo de luxo. 
Porém, o conceito de "caro" é extremamente complexo; depende do bolso de cada um, e de quanto você está disposto a gastar. Como fala Jorge Lucki no seu ótimo "A experiência do gosto" (Companhia das Letras), "vinho caro é aquele que não vale seu preço"... 

Por outro lado, conforme dizia o sábio Émile Peynaud, falecido professor de enologia, é o consumidor que faz a qualidade dos vinhos. "Se há maus vinhos, é porque há maus bebedores", pregava. Respeitando o conhecimento de cada um, entendo a frase do professor, que acreditava caber a nós, consumidores, a missão de desestimular os produtores de maus vinhos. E conhecimento, no mundo do vinho, significa degustar e degustar, o maior número possível de amostras, reconhecendo o valor de cada produto, e aceitando pagar mais por um vinho de qualidade superior.

Beber bons vinhos na Brasil a preços razoáveis é possível, basta saber onde procurar. Com a abundância de bons sites e revistas de referência na web, o "garimpo" dos vinhos ficou mais fácil, bastando investir um tempo na pesquisa. A afirmativa: "o vinho é ruim, mas é barato" é inaceitável.

Nas últimas degustações, tenho dado uma atenção particular nos vinhos de bom custo benefício, e listo aqui alguns bons exemplos desta categoria:

BRANCOS (bons para o verão que se aproxima)


Quinta do Seival Alvarinho 2013: ótima surpresa na degustação de Alvarinhos da Menu; elaborado pela Miolo (sim, é brasileiro) na fronteira com o Uruguai apresenta cor amarelo palha, com aromas de frutas tropicais, anis e notas de baunilha, entregando a passagem pela madeira (fermenta e permanece em contato com as borras por 1 ano). Encorpado, com excelente acidez e retrolfato com lírio seco, cinzas. Tem 12,5% de álcool e custa R$59,83 na Miolo.

Boa harmonização com pescados e frutos do mar, com bom corpo para encarar até uma Moqueca...






Vistamar Sepia Reserva Sauvignon Blanc 2011. Chileno do Vale de Casablanca, de cor amarelo bem claro, com reflexos verdeais. No aroma, predominam os cítricos, com uma nota vegetal. Leve e bastante fresco na boca, acompanha bem uma salada com queixo de cabra e pescados na grelha.
A título de curiosidade, recebeu 90 pontos de Robert Parker (safra 2013) e custa R$ 42,00, na Wine Spanholo


Riesling Olberg Spatlese 2011; apesar do preço (R$ 97,00), dificilmente você encontrará um vinho nesta faixa de preço que combine tão bem com a culinária asiática... Cor amarelo palha, com aromas minerais, frutas brancas, ótima acidez e álcool baixo (9,5%), aliado ao açúcar residual perceptível e característico, faz um par perfeito com os pratos mais apimentados. Importado pela Winebrands









TINTOS



Luccarelli Primitivo IGP 2012; álcool 14%: cor rubi intensa, aromas de frutas escuras, folhas de hortelã e notas terrosas. Boa acidez, corpo médio, taninos um pouco mais rústicos, não incomodam. Interessante retrolfato com chocolate amargo. Por R$ 37,00 na Casa Flora, é uma belíssima compra!!!!









Baladero Cabernet Sauvignon 2011: os vinhos da Fermasa são conhecidos por sua ótima relação custo benefício. Bem feitos e fáceis de beber, toda linha é bastante homogênea. Este Cabernet é bastante frutado no nariz, com notas de baunilha. Na boca é bastante equilibrado, com taninos redondos. Sai por R$ 36,50 na Barrica Negra








E para prestar MUITA ATENÇÃO:




Principe Siciliano Rosso: um siciliano IGT de ótimo custo benefício, aromas frutados e florais, fácil de beber (e de gostar!!); uma bela introdução à uva Nero d'Avola, com valor próximo de 50 reais.











Mamertino Rosso: este vem com o selo de 5º colocado na degustação do Encontro de Vinhos que reuniu todas as melhores amostras do ano. E não é por menos: 90% de Nero d'Avola e 10% de Nocera. Coloração rubi média, com aromas que remetem a frutas maduras e notas animais (estábulo, couro).Excelente acidez e corpo, com taninos um pouco mais rústicos. Próximo de 100 reais, mas vale cada centavo...

Os dois vinhos são da Italy's wine, Fale com Elizeu no número 985267935