29 de setembro de 2014

Degustação Codorníu/ Bodega Septima


Bodega Septima (fonte: bodega septima /multimedia)

Pertencente ao grupo espanhol Codorníu Raventós (famoso entre nós pela cava), a Bodega Septima está localizada na Província de Mendoza, com seus vinhedos na região de Agrelo, ao pé da Cordilheira dos Andes. Moderna, a edificação ocupa uma área de mais de 5000 metros quadrados, com capacidade de armazenamento de 3 milhões de garrafas. 

Leticia Arena, simpática gerente de Marketing da Bodega Septima, foi a responsável por apresentar os produtos, importados pela Interfood/ Todovino, no Restaurante Tempranillo (Rua Jacques Félix, 381, São Paulo). Nada melhor que um bom restaurante de sotaque ibérico para receber uma degustação de vinhos que hablan por si com bom custo benefício.

Nossa degustação iniciou-se por uma velha conhecida: Cava Codorníu Brut. Clássica, de cor amarelo palha, com bolhas pequenas e numerosas, esta cava passa 9 meses em contato com as leveduras. No nariz, aromas frutados de maçã e tostados, com uma nota defumada típica das cavas. Boa acidez e bom corpo, feita com uvas tradicionais: Macabeo (40%), Xarel-Lo (40%) e Parrelada (20%). Preço: R$ 69,90.

O próximo vinho foi outro espumante: Cava Codorníu Pinot Noir Brut. Bela coloração rosada de média intensidade, com borbulhas bastante numerosas. Aromas de frutos vermelhos maduros, com notas terrosas e de leveduras (pão). Excelente corpo, ótima acidez e pronunciado retrolfato de frutas secas. Final um pouco mais quente, porém redondo. Muito gastronômica!. Preço: R$ 108,90.























Os "tapas" servidos de entrada combinaram perfeitamente com os espumantes, com destaque para a deliciosa Chistorra (linguiça) com batata rústica e cogumelos.




Na sequência, entraram em cena os tintos da Bodega Septima; iniciamos com o Septima Malbec 2012, da linha varietal (14% Álcool). De cor violácea, apresentando aromas mais frutados que os habituais florais, típicos da Malbec. Letícia explicou que utilizam uma pequena passagem por carvalho de segundo uso (6 meses) para preservar o máximo o caráter frutado. Na boca, acidez média alta, com bom corpo; o floral foi aparecendo aos poucos. Final quente. Bom vinho com bom preço: R$ 44,90. Essa linha de vinhos também conta com varietais de Cabernet Sauvignon e Syrah.



Um degrau acima, o Septimo Dia Cabernet Sauvignon 2011 (14,5% Álcool) apresentava coloração rubi intensa, agradável aroma de cassis, couro novo e especiarias frescas. Excelente na boca, com corpo médio alto, retrolfato com nota de baunilha e persistência média alta. Passou 10 meses em barricas de carvalho americano de segundo uso. Muito bom vinho a R$ 87,90. Foi o meu preferido da degustação.













Top de linha, o Septima Gran Reserva 2011 é produzido com um blend de 60% de Malbec, 30% de Cabernet Sauvignon e 10% de Tannat. Passa 6 meses em garrafa após envelhecer 18 meses em barricas de carvalho americano e francês de primeiro uso. Decantado antes do serviço, apresentava coloração violácea de média intensidade, chamando atenção pela paleta aromática de rosas, clara referência à Tannat, segundo Leticia. Muito redondo na boca, encorpado e com taninos ainda por amadurecer. Excelente potencial de guarda. Preço: R$ 105,90


Acompanhamento para os tintos? Arroz de Buchecha de boi, impecável. Prato encorpado, pedia um vinho de peso semelhante, e encontrou o par perfeito no Gran Reserva...




Outro vinho "TOP" da linha, que tive recentemente oportunidade de conhecer e faço questão de mencionar, é o Septima Gran Reserva 10 Barricas Cabernet Sauvignon 2010. Uma edição limitada a 2640 garrafas, com passagem de 24 meses por barricas francesas e americanas novas e 1 ano em garrafa. Rubi intenso, nariz potente e frutado (cassis, cerejas), com uma nota de couro novo. Encorpado, boa acidez, taninos macios e redondo na boca, uma versão mais musculosa do Septimo Dia, com potencial de evolução, mas ótimo para beber agora. Preço: R$ 151,90. Fiz uma boa harmonização com fondue de carne (uma versão em que a carne não é frita, e sim "cozida" num molho à base de vinho).



Os vinhos podem ser adquiridos pelo telefone (011) 2602-7266 ou no site da importadora que você acessa aqui

11 de setembro de 2014

Winebar e Les Amis, simplesmente genial



Participar de degustações é sempre uma experiência única, apesar dos modelos serem muito semelhantes. Recentemente fui convidado para uma um pouco diferente...

A iniciativa pioneira de Daniel Perches (Encontro de vinhosblog vinhos de corte) e Alexandre Frias (Diário de Baco) proporciona uma rara conjunção entre degustação de vinhos e descontração com promoção do produto pelas redes sociais. Uma degustação ao vivo, transmitida em tempo real via internet, onde pessoas podem perguntar, opinar e acompanhar as impressões do(s) apresentador (es) e dos profissionais que receberam amostras para julgarem.

Nesta última edição, o Winebar recebeu a presença do Sr. Otávio Piva de Albuquerque, fundador da Expand, que veio apresentar uma linha recém-chegada à importadora: Les Amis.

Como a tradução sugere, e conforme explicado por Otávio, trata-se de uma linha de vinhos, resultado da união de oito enólogos franceses renomados. A idéia foi criar diferentes opções de rótulos para o consumidor, de bom custo benefício, sob o mesmo selo de qualidade. Segundo o fundador da Expand, os produtores conseguem baratear seus custos exportando em conjunto.

Impressões dos vinhos degustados:

- Espumante Les Amis Rosé: Proveniente da região da Provence, feito com a uva Grenache, graduação alcoólica de 11,5%. Apresenta uma bela cor alaranjada e ótima perlage. No nariz, apresenta aromas de frutas vermelhas delicadas, e na boca é refrescante, com boa acidez. 
Preço: R$ 64,80. 

- Les Amis Bourgogne Pinot Noir 2011: Este borgonha é feito com 100% de uvas Pinot Noir da Côte de Beaune, Côte de Nuits e Côte Chalonnaise; tem graduação alcoólica de 12,5%. Cor rubi claro, bastante frutado no nariz, com a boca apresentando acidez média e baixos taninos. 
Preço: R$ 125,00

- Les Amis Bordeaux 2010: Corte de Merlot (60%) e Cabernet Sauvignon (40%), graduação alcoólica de 13,5%. De coloração rubi intensa, com aromas que remetem a frutas negras, com notas herbáceas. Acidez média alta, com taninos marcantes e bom corpo. 
Preço: R$ 78,00.

Perdeu? Pode assistir o programa clicando aqui.

Fica a dica!



9 de setembro de 2014

O delicioso sabor da maturidade




Em recente degustação pude confirmar minha paixão por vinhos que merecem tempo de guarda...

Eu já havia mencionado o Brunello di Montalcino aqui no blog (uma boa surpresa, junho de 2013), e como este vinho pode apresentar resultados tão diferentes, sendo necessária uma busca criteriosa nos dias atuais para não se pagar preços exorbitantes por vinhos irregulares.

Em um almoço promovido pela Importadora Interfood/Todovino, tive o privilégio de conhecer melhor os vinhos da Fattoria dei Barbi, em degustação conduzida por Raffaela Guidi Federzoni, gerente de exportação da vinícola.
Reconhecida mundialmente como um dos principais produtores de Montalcino, a Fattoria dei Barbi pertence à família Colombini, que possui propriedades na região desde o século XIV, e durante sua história desempenhou um papel importante na trajetória do Brunello, sendo a primeira a exportar seus vinhos.

A Fattoria dei Barbi é classificada como tradicional, fiel à legislação local, utilizando somente brunello (como o clone local de sangiovese é chamado) e amadurecendo em barricas de carvalho esloveno. Não alheios à modernidade, alguns recursos recentes são utilizados no processo de vinificação, como a maceração pré-fermentativa a frio. 

Bem, e os vinhos? O local escolhido para a degustação vertical de quatro safras do Brunello di Montalcino Riserva não poderia ser melhor: Restaurante Due Cuochi no Shopping Cidade Jardim. Sob o comando da restauratrice Ida Maria Frank, com a cozinha capitaneada pelo chef italiano Giampiero Giuliani, os Brunellos puderam desfilar toda sua potência aliada à elegância, com surpreendentes harmonizações.

A escolha dos Riservas foi feita por se tratarem dos vinhos mais emblemáticos da vinícola, e segundo Raffaela, os que reúnem o melhor dos dois mundos: podem ser apreciados jovens ou então após um período de guarda, quando mudam suas características totalmente. E para comprovar o que disse, selecionou quatro safras bastante representativas: 2005, 1997, 1987 e 1978.



Iniciamos com o Brunello di Montalcino Riserva 2005; a safra foi considerada boa, apesar de se tratar de um ano mais frio. Coloração granada intensa, aromas de frutos escuros maduros, notas terrosas e um toque de baunilha. Na boca, o corpo é alto, com taninos elevados, porém sem arestas ( adstringência). Pede um tempo de guarda.

Produto de um ano mais quente, com verão longo, o Brunello di Montalcino Riserva 1997 apresentava uma coloração granada menos intensa do centro para a periferia, com nuances marrons, evidenciando sua evolução. Os aromas remetiam a frutos muito maduros, com toques terrosos mais intensos e um maravilhoso retrolfato de frutas secas. De corpo médio alto, bela acidez, equilibrada com o álcool e com persistência longa, trata-se de um brunello clássico de um ano especial. Foi o destaque individual.

O vinho da sequência, o Brunello di Montalcino Riserva 1987, foi o mais leve de todos. Apresentou-se mais aberto no início da degustação, porém em alguns minutos já dava mostras de cansaço, ficando menos expressivo no olfato. Na boca, apresentava corpo médio e boa acidez apesar do tempo. Não foi considerado um bom ano na região, quando ocorreram chuvas em excesso aliadas ao clima mais frio que o habitual.

Para arrematar, o Brunello di Montalcino Riserva 1978 foi servido envolto em uma aura de ansiedade. De coloração completamente tijolo pálida, evoluída, se revelou o mais delicado de todos. Aromas complexos remetendo a terra molhada, frutas e ervas secas, com um conjunto excepcional... acidez incrível para um vinho de 36 anos!

Até os pratos, o vinho que mais se destacava era o equilibrado e clássico 1997, porém...

Gnocchi de sêmola com Tallegio e presunto crocante


paleta de cordeiro assada com couscous marroquino
Os pratos apresentavam uma delicadeza e esmero no preparo que "pediam" um vinho com essas características, além de acidez, complexidade e potência na medida que não ofuscasse o prato ou vice versa. E a simbiose perfeita veio justamente com o vovô da turma, da safra 1978...

Conclusão? Alguns vinhos, por mais que a novas técnicas os tornem mais "acessíveis", tem vocação, na minha modesta opinião, para se expressar melhor após um período de amadurecimento... assim como alguns de nós. (risos)



PS: Como a única safra disponível no Brasil é a 2005, a sugestão é comprar, beber uma garrafa e guardar outra, para conferir no futuro a sua impressão pessoal. E não se esqueça de me contar.

Você pode acessar o link da Todovino/Interfood aqui ou ligar para 2602-7266