28 de julho de 2014

Primitivo ou Zinfandel... tintos fáceis de gostar

Originária da Dalmácia, região que engloba a bela costa da Croácia, não é difícil imaginar como a uva Primitivo (originariamente chamada Tribidrag) chegou à Itália, mais precisamente à Puglia (o "salto da bota").


O primeiro registro da variedade remete ao século XVIII, na região de Gioia del Colle, que em conjunto com Primitivo di Manduria, reúne os melhores vinhos baseados em Primitivo até hoje.

A origem da Zinfandel (que geneticamente é a Primitivo) nos EUA é cercada de controvérsias; existem defensores da origem local da variedade, a despeito do conhecimento que a Vitis vinifera não se trata de uma espécie natural das Américas.
Quando produtores italianos tomaram conhecimento da similaridade das uvas após estudos da Universidade de Davis na década de 70, começaram a vender seus vinhos sob o conhecido e bem sucedido nome Zinfandel nos EUA. Iniciou-se então uma verdadeira batalha de "namimg rights", culminando em 1985 com a suspensão dos direitos dos italianos.
Contudo, em 1994 a semelhança genética foi confirmada por DNA, garantindo aos produtores de Primitivo o direito de venderem seus vinhos nos EUA com o nome Zinfandel. A ação contrária movida pelo BATF (Bureau of Alcohol, Tobacco and Firearms) em 2000 não obteve êxito, e até hoje nenhum acordo foi alcançado.

Nomes à parte, vamos às particularidades da uva; o nome Primitivo remete ao seu ciclo vegetativo curto, pois é uma das primeiras variedades que amadurecem, como a Tempranillo (de temprana ou precoce), com uma peculiaridade importante: de forma irregular. Explico: quando a maturação plena do cacho é atingida, podem existir uvas supermaduras, em processo inicial de "passificação". O resultado podemos imaginar: vinhos com sabores frutados intensos e álcool elevado, muitas vezes com açúcar residual.

Fáceis de gostar? Sim! E excluindo aqueles com uma quantidade maior de açúcar residual (tornando-os enjoativos), são vinhos interessantes, de custo acessível.

A seguir listo alguns exemplares, que degustei recentemente para a Revista Menu:

ITÁLIA:


Ghenos Primitivo di Manduria 2009; álcool 14,5%: coloração rubi, com aromas de fruta madura e notas animais (couro, estábulo). Ótima acidez e bom corpo. Excelente compra por R$ 71,00 na La Pastina
















Conte di Monforte Primitivo di Manduria 2011; álcool 14,5%: cor rubi intensa e aromas que remetem a fruta negra madura (amoras), especiarias (noz moscada, pimenta branca) e notas medicinais, verniz. Boa acidez, taninos macios. Quente no fim, necessita de um pouco mais de tempo, R$ 77,00, na Vinos y Vinos.





Luccarelli Primitivo IGP 2012; álcool 14%: cor rubi intensa, aromas de frutas escuras, folhas de hortelã e notas terrosas. Na boca, ótima acidez, corpo médio e taninos um pouco mais rústicos, mas que não incomodam. Interessante retrolfato com chocolate amargo. Por R$ 37,00 na Casa Flora, é uma belíssima compra!!!!Nota; os outros vinhos da linha deste produtor, conforme me informou a sommelier Giuliana Ferreira, são fantásticos! Olho neles!











EUA:

  • Robert Mondavi Private Selection Zinfandel 2012; álcool 13,5%: cor rubi, com aromas complexos, remetendo a frutas vermelhas, flores secas e chá preto. Equilibrado no paladar, com ótima acidez, taninos macios e álcool bem integrado ao conjunto. Eu já havia degustado a safra anterior e feito comentários sobre este vinho. Ficou muito bom com estrogonofe caseiro, com preparo incluindo molho inglês, ketchup e mostarda, além do creme de leite. Trazido pela Todovino/Interfood, por R$80,90