15 de junho de 2014

Yes, They have (very good) Pinot Noir




Falar do filme Sideways é chover no molhado no mundo do vinho. Todos conhecem ou já ouviram falar da história de Miles (Paul Giamatti) e seu amigo Jack (Thomas Haden Church), que percorrem a Califórnia durante 7 dias, visitando vinícolas. Miles, um verdadeiro amante e conhecedor de vinhos tenta a todo custo transmitir a sua paixão devocional ao amigo, que assim como muitos de nós, quer simplesmente se divertir, apreciando a bebida de Baco.

No filme, Miles endeusa a Pinot Noir em detrimento à Merlot; odeia tanto esta última a ponto de ter uma discussão ríspida com o amigo, que só quer beber com garotas:

"Jack: If they want to drink Merlot, we're drinking Merlot.
Miles: No, if anyone orders Merlot, I'm leaving. I am NOT drinking any fucking Merlot!"

Pois é, Miles provavelmente desconhecia os bons (e raros) Merlots de Leonetti, da região de WallaWalla, e com certeza se referia aos merlots californianos. Ademais, o que causa perplexidade é o vinho que Miles guarda a sete chaves - o Cheval Blanc 61 - ter 40 % de Merlot no corte com Cabernet Franc... vai entender...

Mas voltando à Pinot Noir...

A caprichosa uva da Borgonha realmente se adaptou bem em várias regiões nos Estados Unidos, após a mudança dos locais de cultivo. No passado, os vinhos apresentavam pouco sabor, quase "cozidos e compotados", devido ao cultivo em áreas mais quentes. Atualmente, há vinhos excelentes, provenientes de regiões mais frias, como Russian River Valley, Carneros e Santa Lucia Highlands, onde a névoa matinal e as altitudes maiores contribuem para o amadurecimento lento e consequente concentração de sabores do fruto, cujo período vegetativo é relativamente curto (é uma uva de colheita precoce).

Em degustação recente da Revista Menu, degustamos 15 amostras de Pinots Noirs norte americanos, de vários estilos, desde os mais extraídos e frutados até os mais elegantes, com aromas mais complexos.

Os meus preferidos foram:

1º - Sequana 2009, álcool 13,9%, trazido pela Decanter. Rubi claro, com aromas que remetem a frutas vermelhas (cerejas, framboesas) e terrosos, bastante elegante e complexo. equilibrado, com acidez na medida certa. Produzido por Donald Hess na região de Santa Lucia Highlands. Preço: R$ 195,30







2° - Director's Cut 2011, álcool 14,5%, importado pela Ravin. Interessante Pinot Noir em garrafa bordalesa com um rótulo e nome que são o espelho do seu produtor, Francis Coppola, que o produz em Russian River. Rubi clarinho, com aromas complexos e menos intensos, de frutas vermelhas, especiarias e discreto floral. Redondo e intenso. Preço: R$ 238,00






3° - Crossbarn by Paul Hobbs 2009, álcool 14,5%, importado pela Mistral. Bastante conhecido, este vinho apresentava coloração rubi de média intensidade, com aromas de frutas mais doces, notas de baunilha e especiarias. Bom corpo e boa acidez, com uma pontinha de álcool a mais. produzido em Sonoma Coast.Valor: US$ 98,00


Vinhos infelizmente caros em nosso meio...porém um se destacou pela excelente relação custo benefício:

Mac Murray 2011, álcool 14,3%, importado pela Wine a R$70,00. Cor rubi, com aromas de fruta madura (figo, romã), boa acidez e bom corpo, com discreto aquecimento no final pelo álcool.

Os outros vinhos você pode conferir na edição de junho da Menu, que está nas bancas!

Cheers!