19 de fevereiro de 2014

Navarro Correas




Em almoço no Restaurante Varanda, organizado pela Importadora Interfood/Todovino em conjunto com a KRP Relações Públicas, tivemos a oportunidade de degustar ótimos exemplares da Bodega Navarro Correas.

A história da Bodega iniciou-se em 1800, com a venda de uvas e vinhos produzidos na propriedade a outras bodegas da região, o que durou aproximadamente 100 anos; com a experiência adquirida, Don Edmundo Navarro Correas decidiu elaborar vinhos com identidade da vinícola. Atualmente possuem 40 hectares de vinhedos próprios, porém para a elaboração dos vinhos são compradas uvas de outros produtores da região, cuidadosamente selecionados.

Em 2004, com o intuito de aumentar a capacidade de processamento e armazenamento dos vinhos, foi inaugurada uma nova bodega em Godoy Cruz, moderna e integrada ao entorno paisagístico. O processo de ampliação culminou com a construção da Bodega Finca Agrelo no ano de 2009, alinhada para a produção dos vinhos de alta gama. 

Comprometida com o meio ambiente, a Bodega Navarro Correas tornou-se referência de vinícola eficiente e ambientalmente sustentável, através do uso racional da água e energia.

Bem, vamos aos vinhos:

De cara, um belo espumante: Navarro Correas Grand Cuvée (13,5% Álcool). Elaborado com Pinot Noir (80%) e Chardonnay (20%), sem passagem por madeira e 18 meses em contato com as borras. De coloração amarelo dourado brilhante, com bolhas pequenas e numerosas, apresentava aromas de fruta amarela madura e tostados. Boa acidez e boa estrutura de boca. Achei um pouco caro (R$170,90).

Da linha Colección Privada, a mais completa e emblemática da vinícola, foram degustados os varietais Chardonnay (13,5% Álcool,) e Malbec (13,9% Álcool), ambos da safra 2012 e com valor de R$ 62,90. O primeiro, de cor dourada e aromas que remetem a pêssego, flores, e notas de madeira (30% do vinho passa em barricas de carvalho por 8 meses); apresenta corpo leve e é bastante fresco. Bom companheiro para a costeleta de tambaqui da Amazônia servida com entrada. O Malbec apresentava uma coloração rubi intensa, com aroma floral e especiarias, além de notas de chocolate e baunilha, que remetem a utilização elegante do carvalho (40% do vinho estagia 12 meses em barricas, 80% carvalho americano e 20% carvalho francês). Redondo, de corpo médio e pronto para beber.

Na sequência, foram servidos os tintos de alta gama da vinícola; O Alegoría Gran Reserva Malbec 2009 (14,5% Álcool) foi elaborado a partir de uvas provenientes de Luján de Cuyo e do Vale do Uco, fermentadas em inox e maturado 15 meses em barricas de carvalho francês novas. De bela cor rubi com reflexos violáceos, aromas de frutas negras maduras e flores; na boca, apresenta uma bela acidez e ótima estrutura, bastante harmonioso. Foi o meu preferido da degustação no quesito custo- benefício (R$114,90).


O Structura 2007 (14% Álcool) é fruto de um blend (52% Malbec, 30% Cabernet Sauvignon, 16% Merlot) fermentado em inox e com maturação por 18 meses em barricas de carvalho francês novas. Cor rubi profundo com reflexos violáceos, apresentou-se bastante fechado no início da degustação, apesar de 1 hora de decanter; porém após a frustração inicial, os aromas de frutas vermelhas(cereja) e negras (cassis, ameixa preta), elegantes tostados, especiarias, apareceram em profusão. Na boca, é equilibrado por cima (acidez, corpo e taninos). Pronto para beber, mas apesar da idade (7 anos), acredito que mais 2 anos de adega iriam acrescentar complexidade.(R$218,90)


Interessante notar como o Bife de Chorizo, corte tradicional argentino retirado do miolo do contrafilé, harmonizou com os tintos de forma progressivamente melhor: à medida que o corpo do vinho aumentou e o conjunto álcool/taninos foi domado, a harmonização foi crescente.

Para finalizar, o Alegoria Tardío Gran Reserva 2006 (12% Álcool), vinho branco doce elaborado com 60% de Semillon e 40% de Sauvignon Blanc (uvas afetadas pela Botrytis), vinificado em inox e com 30% do vinho passando 14 meses em barricas de carvalho francês novas. De cor dourada, com aromas que remetem a frutas secas, damasco e mel. Untuoso na boca, acho que devido ao tempo, perdeu em acidez, mas ganhou complexidade aromática.(R$110,90)








17 de fevereiro de 2014

Blog voltando das férias....

Após férias deste blogueiro, que adicionalmente terminou o curso de sommelier de cerveja (novidades em breve), retorno às postagens.

Gostaria de iniciar o ano com dicas de leitura aos amantes do vinho; listo aqui alguns livros que atendem a diversos níveis de conhecimento, dos mais técnicos aos mais "divertidos" e curiosos.
Na verdade, são livros que eu recomendo porque li e gostei, acredito que acrescentaram na minha formação geral, e não somente relativa ao vinho.








  • Vinho para leigos, de Ed McCarthy e Mary Ewing- Mulligan, MW (Editora Alta Books): leve, ágil e divertido, excelente introdução ao universo do vinho, escrito por uma Master of Wine e seu marido.

  • A História do Vinho, de Hugh Johnson (CMS Editora): obra obrigatória na biblioteca de todo amante de vinhos, escrita por uma das maiores autoridades do mundo no assunto. Livro denso e apaixonante, conta a história do vinho através dos séculos, e como ela se confunde com a própria história da humanidade.

  • Dicionário do Vinho, de Mauricio Tagliari e Rogério de Campos (Companhia Editora Nacional): fruto de um trabalho hercúleo dos autores, este dicionário é bastante claro e conciso, com milhares de palavras e suas traduções no mundo do vinho.

  • Atlas Mundial do Vinho, de Hugh Johnson e Jancis Robinson (Editora Nova Fronteira): os autores carecem de apresentações; esta dupla criou simplesmente o mais completo e fantástico Atlas de Vinho, na sua 7ª edição, com versão para Ipad.

  • Oxford Companion to Wine, de Jancis Robinson (Oxford University Press): escrito pela renomada crítica inglesa Jancis Robinson, a "Dama do Vinho", este dicionário tornou-se uma bíblia para os enófilos; referência obrigatória e material de estudo para o almejado Diploma da WSET.

  • A Experiência do Gosto, de Jorge Lucki (Companhia das Letras) para os aficcionados em harmonizações do vinho com comida e fãs de boas histórias, este livo reúne artigos do autor para a Revista Valor Econômico de 2000 a 2010.

  • O Gosto do Vinho, de Émile Peynaud e Jaques Blouin (Martins Fontes): obra revolucionário de Peynaud, escrita nos anos 70, onde ensina os consumidores a desenvolverem o paladar para apreciar os vinhos na sua plenitude. Em sua obra, escreveu que "se há maus vinhos é porque há maus bebedores" e que "o gosto é semelhante à rudeza do entendimento".

  • Os Sentidos do Vinho, de Matt Kramer (Conrad Editora): neste livro o norte americano Matt Kramer, colunista da Wine Spectator, desmistifica o vinho, através de conhecimento e sem pedantismos.

  • Vinho e Guerra, de Don e Petie Klaudstrup (Zahar): delicioso livro que conta a história das artimanhas de tradicionais famílias francesas para impedir que os nazistas de roubassem seu maior patrimônio: o vinho.

  • O Vinho Mais Caro da História, de Benjamin Wallace (Zahar): divertimento de primeira! Iniciada a partir da venda de uma garrafa que supostamente pertenceu a Tomas Jefferson, dá origem a uma saborosa história de investigação e mistério.


Bom divertimento!