4 de dezembro de 2013

Ecully, uma bela opção

Cansado de sair para comer e pagar caro? Eu estou. Principalmente quando a comida não vale. Muitas vezes opto pelos cupons de compra coletiva, porém invariavelmente me decepciono com eles, com raras e boas exceções.

Procurando um lugar diferente, pesquisei bastante até encontrar o Ecully.

Um simpático casarão antigo da Rua Cotoxó, na região de Perdizes, foi o local que os chefs Guilherme Tse Candido e Juliana Amorim escolheram para o Restaurante. Formados em gastronomia no Brasil, e com experiência internacional (França, Espanha, Itália e Portugal), os sócios resolveram expandir o atelier de gastronomia dirigida (onde são responsáveis por festas, eventos, jantares, entre outros) com a criação do Ecully.
O nome é derivado da cidade homônima na França, perto de Lyon, local do Instituto Paul Bocuse, onde os chefs estagiaram e se conheceram.
Logo na entrada, há uma loja da importadora Grand Cru, o que facilita a escolha do que levar à mesa. Confesso que na minha primeira visita (foram duas em uma semana) não sabia da existência da loja, e como de praxe, levei meus vinhos de casa pensando nas harmonizações...




O salão, bastante confortável, possui paredes de vidro que podem ser mantidas abertas, como no dia da primeira visita, facilitando a circulação de ar nos dias mais quentes. Árvores ao redor contribuem com o clima de aconchego, bem como as mini velas de LED estrategicamente colocadas no centro da mesa dentro de um mini ralador - uma ideia beeem legal e diferente!


Os garçons são bastante prestativos e atenciosos. Um deles, o Lucas, eu conhecia do extinto Le Tire Bouchon. Todo o serviço está bem afinado.

Apesar de fazer referência à França no nome, a proposta culinária é bastante variada, com influências de todos os locais onde os chefs estagiaram ou trabalharam.

croquetas cremosas de funghi
Na primeira visita, iniciamos com duas entradas: o salmão defumado artesanal com lâminas de limão siciliano e manjericão, extremamente correto, mas não arrancou suspiros.
A DIVINAL porção de croquetas cremosas de funghi - simples e muito bem boladas - feitas a partir de molho bechamel, queijo gorgonzola e cogumelo seco arrancou, além dos dos suspiros, muitos aplausos. Realmente, uma delícia!





Como pratos principais, pedimos o Tagliatelle artesanal com lulas frescas - minha companhia gostou, porém achou uma quantidade excessiva de cebola caramelizada no prato, ingrediente que não consta na descrição do prato. O outro prato tratava-se dos Fios de pupunha com frutos do mar, na manteiga de limão siciliano com ervas. Bastante interessante e original, saboroso, e somente no fim notei que o molho estava um pouco ácido, mas o prato já estava quase finalizado... rs

fios de pupunha com frutos do mar

Nesta primeira visita, a ideia era harmonizar nosso vinho com frutos do mar, e para isso levei um branco que não conhecia, da importadora Chez France (www.loja.chezfrance.com.br): Pouilly-Fumé Harmonie 2011, da Domaine Chatelain.
De coloração amarelo palha clara, este branco 100% Sauvignon Blanc do Vale do Loire apresentava aromas herbáceos muito elegantes, quase mentolados, fruta madura (groselha branca ou gooseberry), mineral e uma excelente acidez, com bom corpo. Álcool 12,5%.


O vinho harmonizou bem com os pratos, bastante leves e de caráter mineral. E não fez feio com as entradas.

Na nossa segunda visita, menos de uma semana após, solicitamos as mesmas croquetas, agora mistas, com as de queijo de cabra - também excelentes!
A outra entrada, executada com primor semelhante, foi o Chips Tartare: tartare de carne com mostarda de dijon entre chips de parmesão. Regada a aceto balsâmico, contrapondo o salgado, um belo resultado!

chips tartare


Os demais pedidos foram surpreendendo positivamente: Nhoque de parmesão com ragu de costela e sálvia, muito saboroso. Peixe do dia com farofa crocante, um mix de texturas soberbo. Mas o meu eleito foi um maravilhoso Leitão cozido a baixa temperatura, com purê de mandioquinha, cebola caramelizada e pesto de manjericão.



leitão a baixa temperatura



O vinhos escolhidos para essa segunda visita foram o surpreendente branco Felipa Pato Bossa 2011, trazido pela Casa Flora, com boa acidez e vocação gastronômica; e o tinto Faro Palari 2006, um siciliano de raça, trazido pela World Wine, que acompanhou muito bem o Leitão e o Ragu de costela, a despeito dos seus quase 8 anos de idade (bela acidez e taninos macios, com longa vida pela frente).


Para finalizar, em ambas as visitas, solicitamos uma composição de pequenas porções das sobremesas da casa: mini torta farofa; mini panacota com frutas vermelhas; mini creme brûlée de doce de leite e mini chôco (uma composição de mousse, bolo e farofa de chocolate amargo com brotos).

quarteto de mini sobremesas

O vinho de sobremesa escolhido foi o Royal Tokaji 6 Puttonyos Aszú 2007, importado pelo Empório Húngaro. De cor dourada e aromas que remetiam a caramelo, frutas secas (damasco) e notas terrosas, este vinho apresentava na boca uma acidez alta, perfeitamente equilibrada com sua doçura.

A primeira sobremesa que experimentei foi a torta farofa, cremosa com calda de caramelo, sorvete de crocante e amêndoas laminadas... e QUE HARMONIZAÇÃO!!!! Raramente consegui um casamento tão perfeito! Doçura com doçura, acidez limpando o paladar, aromas e sabores em sintonia.
Das sobremesas que provei na sequência, panacota e creme brûlée, ambas se saíram bem, com destaque para o creme brûlée. Mas confesso que após a primeira combinação a sequência ficou em patamar inferior.
O Chôco, baseado em chocolate amargo, seria de difícil harmonização com o Tokaji, mas foi devidamente degustado. Conclusão? Eu precisaria de um Porto... rs. Resolvi terminar o delicioso Chôco sem a escolta do vinho...







Resumindo, trata-se de um lugar extremamente agradável, de bons preços (categoria até R$70,00 por pessoa pela Veja Comer e Beber), serviço excelente e comida maravilhosa. Leve um bom vinho (não cobram a primeira rolha) ou compre a preço de gôndola na importadora da frente, e bom divertimento!!!




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