19 de setembro de 2013

Seja bem vinda, Primavera

fonte: www.abc.net.au
No Hemisfério Norte, o dia 21 de Março marca o início da chamada Primavera Boreal; aqui no Hemisfério Sul, nossa Primavera é denominada Austral e inicia-se no dia 22 de Setembro.
Para nós, a mudança de temperatura com a chegada da nova estação é mais lenta e gradual, enquanto que para nossos 'irmãos" do Norte a temperatura aumenta rapidamente, devido a vários fatores; consequentemente, esta elevação de temperatura, que coincide com a eclosão dos brotos da videira (assim que a temperatura atinge 10°C), é muito comemorada...



A estação das flores é um convite à degustação de um vinho festivo, muitas vezes discriminado, mas que tem seu espaço garantido principalmente em mesas despretensiosas, como o Beaujolais. Os franceses utilizam a palavra gouleyant (fácil de beber) para expressar a forma como este vinho fresco escorre pela garganta.
Em recente degustação da Revista Menu (edição de setembro/2013) pude degustar 15 rótulos deste vinho à base de Gamay, originário da região de mesmo nome, considerada ainda uma parte da Borgonha...

Esta uva origina vinhos com aromas intensos de framboesas e cerejas, e com poucos taninos, características essas amplificadas quando do uso da chamada maceração carbônica no processo de vinificação.
Esse processo, comumente associado ao Beaujolais Nouveau (comercializado a partir da terceira Quinta Feira de Novembro, logo após a colheita e vinificação), consiste basicamente em colocar os cachos inteiros (sem separar as uvas do engaço) dentro de uma cuba fechada repleta de dióxido de carbono (CO2). A ausência do oxigênio força as células das uvas a iniciarem uma fermentação intracelular, onde os açúcares são atacados pelas próprias enzimas da uva e convertidos em álcool e CO2, gerando energia e calor. A medida que o processo evolui, mais o ambiente torna-se cada vez mais rico em CO2 e as uvas começam a romper as cascas. Após o término, as uvas são prensadas e as cascas separadas, sendo que o suco resultante será colocado em contato com as leveduras para completar a fermentação. Este processo extrai cor, mas não taninos, e os aromas gerados remetem principalmente a banana, chiclete, tutti frutti e canela.

Além do famoso Beaujolais Nouveau, a região de Beaujolais produz o Beaujolais AC, o Beaujolais Village e os Cru de Beaujolais, feitos através de maceração semi carbônica. Nesta variação, as cubas (abertas no topo) não são repletas de CO2 previamente, mas os cachos também são colocados inteiros. Como os cachos do fundo são esmagados, o suco escorre e entra em contato com a superfície das uvas, onde estão as leveduras, e a fermentação inicia-se, produzindo... Uma grande quantidade de CO2! O dióxido de carbono, mais pesado que o ar, o empurra para fora da cuba, tornando o ambiente rico em CO2 e favorecendo o início da fermentação intracelular.

fonte:candidwines.com
Nas planícies aluviais do Sul da região encontram-se os simples Beaujolais AC. Em direção Norte/ Oeste, encontram-se regiões de colinas pouco mais elevadas, onde se produz o Beaujolais Village, geralmente um "blend" dos vinhos de 39 vilarejos diferentes. Eventualmente podemos encontrar um Beaujolais Village de uma determinada vila, porém são raros.
Contudo, nas colinas onduladas de solo granítico ao Norte que a uva Gamay tem melhor desempenho e expressão, originando os chamados Cru de Beaujolais.
São 10 Crus, a saber, do Norte para o Sul: St-Amour AC, Juliénas AC, Chénas AC, Moulin-à-Vent AC, Chiroubles AC, Fleurie AC, Morgon AC, Régnie AC, Côte de Brouilly AC, Brouilly AC. Todos têm particularidades, porém destaco que Brouilly é o mais produzido, e mais variável, enquanto Moulin-à-Vent e Morgon são os mais encorpados.

Bem, passando para os vinhos, relaciono os que me chamaram mais a atenção na degustação:


  • Beaujolais 2011, Maison Coquard, Álcool 12%: coloração rubi, com aromas de frutas vermelhas (morangos) e um fragrante floral. De corpo médio, com boa acidez. Trazido pela Decanter a R$62,00 (www.decanter.com.br)






  • Moulin-à-Vent 2010, Henry Fessy, Álcool 13%: a coloração mais clara indica um pouco de evolução. Aromas de frutas vermelhas predominam. Na boca, bom corpo e tem frescor, mas é bastante ligeiro. Bom para tomar logo com alguns embutidos no lanche do fim de semana. Trazido pela Inovini (www.aurora.com.br), pena custar R$ 92,00
  • Moulin-à-Vent 2010, Joseph Drouhin, Álcool 13%: coloração rubi profunda, com aromas de frutas mais escuras (cereja negra) e boa integração entre a acidez, corpo e taninos. Sai por US$59,90 (pena...) na Mistral (www.mistral.com.br)



  • Beaujolais- Village 2011, Georges Duboeuf, Álcool 12,5%: produtor clássico da região, George Duboeuf elabora este Village de coloração rubi clara, com muita fruta no aroma (framboesa, morangos, cereja), além de uma nota de tempero. Bem equilibrado na boca, este vinho também é uma bela compra. R$60,00 na Todovino (www.todovino.com.br)






E o que comer com esses vinhos? Que tal um pic-nic????

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