31 de julho de 2013

Vitória e o Restaurante Soeta

Terceira Ponte (vista do Convento da Penha)
Viajando para Guarapari, minha recomendação é separar um dia para conhecer Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo e uma das 3 ilhas-capitais do Brasil (Florianópolis e São Luís são as outras). Saindo de Guarapari, antes de chegar à BR-101, encontra-se a Rodovia do Sol, que liga Vitória ao Sul do estado, passando pelo litoral capixaba (Vila Velha, Guarapari, Anchieta, Piúma e Marataízes). O caminho é fácil, a rodovia tem pista duplicada, boa conservação e após 40 minutos, chega-se à Vitória. Um pouco antes, passando pela Terceira Ponte em Vila Velha, observa-se o Convento da Penha, cuja construção foi iniciada em 1558, sendo uma das igrejas mais antigas do Brasil (vale a pena visitar e apreciar a vista).
Convento da Penha (fonte: wikipedia)
Localizado na Praia do Canto, num dos bairros mais elegantes da cidade, com muitos bares e atrações culturais, encontra-se o Restaurante Soeta. Se em 2011 destacou-se como restaurante revelação, em 2013 foi apontado pela segunda vez consecutiva como melhor restaurante da Grande Vitória. A capixaba Bárbara Verzola (costumo vê-la no canal fechado de TV FOX) e o equatoriano Pablo Pavón dividem o comando das panelas. A dupla se conheceu no extinto restaurante espanhol El Bulli, do chef Ferran Adriá, expoente da chamada cozinha molecular.
"chips" de batata doce e a corujinha
A propósito, Soeta quer dizer coruja no dialeto do Vêneto, e por esse apelido carinhoso que Barbara era chamada por seu pai quando criança... Não por acaso que em todos locais do restaurante visualizamos as simpáticas corujinhas.
Optamos pelo menu degustação completo, um show de imagens e sabores, a começar pelo interessante "coquetel" de entrada: caipirinha de limão servida no próprio (congelado, como um copo), coberta por espuma de chope. Tudo repousado sobre um belo prato de cor preta com sal grosso. Aliás, os pratos e talheres merecem um reparo à parte: importados da Espanha e Itália, com formas e cores diferentes, compõem o cenário idílico da refeição...

caipirinha 2013

Na sequência, mais de 20 apresentações, antecedidos por interpretações de amendoim e castanha do Pará, nos fazem lembrar o quanto o sentido da visão é importante e faz parte do ato de comer bem: simples tortilhas com guacamole se transformam em um prato (des?) construído de formas, saboroso e de leveza ímpar; a pele da tilápia é transformada numa iguaria crocante servida numa pequena esteira, remetendo à informalidade e descontração da praia, escoltada por um criativo drink à base de pepino e vodka. O prato de tomate cereja, manjericão e quinoa frita, espetacular, parece ficar ainda melhor em contraste com a cor alaranjada do vidro ao fundo...


Ostras não faltaram, apresentadas na sua forma pura e em ceviche com o tendão; a barriga de salmão e o camarão de água doce completaram a liturgia marítima. A técnica de espumatização coberta com raspas de limão siciliano, foi muito bem utilizada sobre esta última preparação, que combinava carne de porco com o camarão.

Remetendo aos elementos da terra, o desfile das iguarias foi aberto pelo saboroso chá de cogumelo (esqueça as aventuras da juventude), e na sequência, um nhoque de taioba de sabor e leveza simplesmente espetaculares, bem como um simples morango, coberto por gorgonzola derretido...simples e certeiro!


Um inusitado ravioli de mortadela precedeu as carnes, dentre elas uma interpretação do filé mignon com macadamia e uma codorna sobre molho de ameixa, tudo num crescente. 
Nesta altura confesso que o paladar já apresentava sinais de cansaço, e os pratos à base de carne/ caça me pareciam menos espetaculares... repare quando eu digo: pareciam...

borbulhas...

A sequência de sobremesas veio como um bálsamo, antecedida pela chamada "telha de cacau", preparando o paladar para os doces...
Completamos nossa difícil noitada com um gim tônica apresentado em estado sólido por congelamento ...é mole ou quer mais?
gim tônica

Está faltando comentar algo óbvio, não é? O vinho!!!!
Pois é, diante de uma infinidade de pratos e suas preparações, componentes, diferentes texturas e sabores, fica difícil escolher UM vinho...
Optei por levar um vinho que a simpática sommelier espanhola Deborah Sanchez não tinha na carta: Royal Tokaji Furmint 2011; Álcool 14% Vol.(www.emporiohungaro.com.br), um vinho branco seco feito a partir da uva majoritária no blend dos grandes vinhos doces da Hungria.
Escolhi-o por conhecer o seu grande potencial gastronômico, devido ao caráter cítrico, mineralidade, acidez pronunciada e um toque defumado. Escoltou muito bem os pratos a base de peixes e frutos do mar, em diversas preparações, demonstrando sua versatilidade. Atenção a esse vinho!!Bela relação custo benefício!

Para os pratos à base de carne e caça, Debora nos sugeriu um vinho francês do Cahors, o Pigmentum Malbec 2011, Álcool 13,5% Vol. (www.vinci.com.br). Mais rústico que os consagrados malbecs argentinos, este vinho mostrou um conjunto interessante, com notas de frutas maduras e toque achocolatado, harmonizando bem com o filé mignon, porém sobrepujando a codorna.

Pena não ter conseguido falar com Bárbara ou Pablo desta vez; os vi de longe, entrando e saindo da cozinha, supervisionando e orientando a equipe.

E pensando bem, é lá o lugar que todo grande chef gosta de estar...

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