11 de junho de 2013

Combinando bons momentos e bons vinhos II

Eis aqui mais alguns momentos, com garrafas especiais e principalmente, pessoas especiais...


  • Pêra Grave Reserva tinto 2010 (Quinta São José de Pêramanca), Álcool 14,5% vol.: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Syrah compõem o blend desse vinho alentejano, trazido diretamente de Portugal. Coloração rubi profunda, aromas de frutas vermelhas maduras, floral e um toque balsâmico. Boa estrutura na boca, equilibrado, com taninos presentes e boa acidez, que garante a guarda por alguns anos. Harmonizou bem com um filé mignon alto, no ponto certo, com molho de aspargos, feito na casa de amigos. Famílias reunidas, comunhão ao redor da mesa, vinho trazido diretamente de Portugal e generosamente compartilhado... precisa mais alguma coisa?

Atenção! Não confundir com o caro e famoso alentejano Pêra Manca, vinho da Fundação Eugênio de Almeida, cujas origens remontam à Idade Média. 
Aqui cabe mais uma historinha...
Este vinho ficou conhecido por citações em crônicas quinhentistas, que relatavam a presença de um vinho feito nas proximidades de Évora nas caravelas de Cabral. Também há indícios que o vinho citado nos Lusíadas poderia ser o Pêra-Manca, ou proveniente de uma região com estas características (seu nome deriva do terreno acidentado onde são plantadas as uvas, formado por várias pedras soltas, ou "mancas"). Fato é que ele quase desapareceu quando a produção foi interrompida em 1920, e provavelmente o Pêra Manca original pouco se assemelha ao feito nos dias de hoje (a fórmula do blend, variável, geralmente é composta por Aragonez e Trincadeira). A primeira safra do vinho atual foi lançada em 1990, e desde então só em anos excepcionais; nos demais anos, as garrafas recebem o nome Cartuxa Reserva.


  • Entre II Santos branco 2010, Campolargo (www.mistral.com.br), Álcool 12,5% vol.: Em um jantar do Hotel Estância Atibainha, uma despretensiosa "trouxinha" de polvo encontrava-se junto com os sushis... pensei... Porque não? Afinal este vinho, com discreta passagem por madeira (uma pequena parte, por pouquíssimo tempo), é um corte de Sauvignon Blanc (90%) e Arinto, duas uvas que têm afinidade por pescados in natura. Pois bem, a combinação foi muito boa, e sendo com um vinho de boa relação custo benefício, melhor ainda! Apresenta uma coloração palha, com reflexos verdeais, aromas cítricos de lima, maracujá e grapefruit, acidez alta e intensa mineralidade com bom corpo. Boa compra!! Descoberta de um grande amigo de sangue lusitano...








  • Porto Select Ruby Reserve, Taylor's (www.santaluzia.com.br), Álcool 20% vol.: um Ruby Reserva, bom e de preço atraente. Os Rubys pertencem a uma categoria de portos intensos e frutados, e os Reservas, um blend de alta qualidade de uma ou mais safras. Estes vinhos estão um degrau acima dos Rubys básicos, amadurecendo até 5 anos em madeira, apresentando grande corpo e álcool bem integrado com a fruta. Por serem filtrados, dispensam a decantação, e o chocolate escolhido para harmonizar deve ser mais intenso (mais amargo).
Após o jantar, no sítio de um amigo no interior, surgiu a brincadeira... Combinar com 4 marcas de chocolate amargo 70 % (às cegas), de diferentes faixas de preço e origens: Jubileu, de Portugal, R$ 8,10; Lindt, Suíça, R$ 12,10; Isis, Bélgica, R$ 13,50 e Michel Cluizel, França, R$ 23,80, todos em barras de 100 gramas trazidos pelo Santa Luzia. Na boca, uma diferença grande entre a granulação presente no Jubileu e a cremosidade do Isis e do Michel Cluizel. O Lindt ficou no patamar intermediário. Após as provas dos chocolates, elegemos o Isis pela maioria dos votos, porém a harmonização com o Porto pesou a favor do Jubileu (harmonizou pelo "regionalismo"?ehehe...). Acredito que por ser um pouco mais "rústico" que os demais, encarou de frente a potência do Porto...
Depois de muitas calorias (das boas) ingeridas, fomos dormir com uma certeza: nas próximas viagens essa harmonização deve ser mais testada, com outros vinhos e chocolates... rs







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