10 de junho de 2013

Combinando bons momentos e bons vinhos I

A harmonização entre vinhos e comida não é uma ciência exata. Além do prazer que uma combinação tecnicamente correta pode trazer, existe sempre o imponderável; lugares, pessoas, momentos (certos, ou errados... eheh).
Como relata Hugh Johnson, "A mais verdadeira de todas as máximas é: Não há grandes vinhos, apenas grandes garrafas de vinho".

Então aqui vão algumas garrafas...


  • I Balzini Black Label 2003, Álcool 14% vol (www.casaflora.com.br): 50% Cabernet Sauvignon, 25% Sangiovese e 25% Merlot. Este toscano de raça está na melhor forma; Durante uma festa de aniversário chamou-me a atenção como o queijo Parmigiano-Reggiano combinava perfeitamente com o vinho. Com 10 anos, apresenta aromas típicos de evolução, com frutas vermelhas maduras, couro, baunilha e especiarias; na boca, taninos macios e acidez gastronômica. 
O Parmigiano é um queijo encorpado, com sabor fresco, frutado e doce, com discreto picante, pedindo um vinho à altura. Neste caso, os vinhos brancos, soberanos com os queijos, não se dão bem e o tinto nadou de braçada, melhorando ainda mais com o clima da festa (leiam-se amigos!)




  • Barbaresco Rabajá Giuseppe Cortese 2009, Álcool 14% vol (www.todovino.com.br): 100% Nebbiolo. Com 4 anos, alguns gritariam: é muito cedo para um barbaresco!!! Não abra agora!!!Pois é, mesmo sabendo que poderia estar perdendo a chance de esperar envelhecer e aproveitar na "plenitude", resolvi abrir e foi muito legal... 
Jantar na Osteria del Petirosso, com a esposa (momento do casal por si, já é especial); solicitei um antipasti chamado Nuvolette di polenta e foie gras; este prato composto de polenta souflé, foie gras, sal maldon (um sal inglês, de textura delicada, única) e azeite trufado criado pelo chef Marco Renzetti estava fantástico. Apesar da leveza que a preparação da polenta continha, o foie gras trazia untuosidade e peso ao prato, acrescido dos aromas trufados do azeite. O vinho, com sua "jovialidade" de 4 anos escoltou bem o prato, pois trazia o peso necessário sem passar por cima, com aromas de frutas vermelhas, flores, especiarias e vejam só, uma notinha trufada (?), que provavelmente aumentará com o tempo. A boa acidez e os taninos redondos não brigaram com o sal (também muito especial) e garantiram o equilíbrio com o álcool. Provavelmente, vai ficar melhor com o tempo, e eu que não sou bobo, deixei a outra garrafa quietinha na adega (pois é, eu tinha duas - agora viram a coragem? eheh...)

nuvolette di polenta e foie gras


  • Champagne Gosset Grand Blanc de Blancs, Álcool 12% vol (www.grandcru.com.br): 100% Chardonnay: um champagne estupendo, de cor dourada pálida, com aromas frutados de damasco, pêra, flores brancas, leveduras e uma ponta de mel. Encorpada, bom volume de boca, com acidez refrescante. O que mais poderíamos querer? Bem, saindo de um evento e com fome, meu amigo sommelier Aldo Assada sugeriu prontamente um tradicional hambúrguer do Toninho Freitas e levamos a Gosset! De cara, com a batata frita e sua crocância (?) achei que poderia tentar algo...não deu. O Hambúrguer estava ótimo, com o tempero da fome melhor ainda... Maionese providencialmente sobrando (o que trazia cremosidade e peso), tomate e alface, carne no ponto, com o "tostadinho"! Aqui a Champagne não fez feio nem bonito, apesar dos copos - muita elegância x rusticidade. Pensando em harmonizações regionais, talvez um zinfandel dos EUA? 
O mais legal foi o papo, comendo um bom hambúrguer e tomando um champagne de primeira no local mais inusitado possível...



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