27 de maio de 2013

White Balance...

Continuando o tour pela Expovinis... muitos brancos, muitos estilos, muitas degustações e difícil selecionar este ou aquele sem ser injusto e faltar algum...

De qualquer forma vou falar daqueles que, por uma razão ou outra, gostei mais...

Então, lá vai a minha seleção de vinhos brancos:

  • Sauvignon Blanc Reserva 2012, Casas del Bosque, Valle de Casablanca (www.obraprimaimportadora.com.br): 100% Sauvignon Blanc, ótimo preço, minha seleção bateu com um dos escolhidos no "TOP TEN" da Expovinis. 

De elaboração cuidadosa, este vinho foi criado a partir da utilização de 3 clones diferentes da variedade, vindos de 2 terroirs distintos; uma pequena parcela (7%) do mosto foi fermentado em barricas de carvalho francês de 4º e 5º uso, depois adicionado a parcela maior fermentada em tanques de aço inox. Este Sauvignon Blanc de coloração verdeal apresenta notas cítricas e herbáceas (sem agressividade), com uma mineralidade evidente, acidez alta, com excepcional frescor, bastante agradável. A safra disponibilizada no Brasil é a 2011, cuja elaboração é igual, e foi destaque na Decanter (revista inglesa), restando confirmar se o frescor, essencial neste vinho, se manterá presente, e até quando. Degustarei a safra 2011 nesta semana e trarei as minha impressões!


  • Vina Esmeralda 2012, Torres (www.devinum.com.br): 15% Gewurztraminer e 85% Moscatel de Alexandria, este exótico vinho da vinícola Torres na Catalunha têm aromas de rosas, lichia e cítricos, com boa acidez e não é enjoativo; muito gastronômico.

Vinícola Torres em Penedés
A bodega de propriedade da família Torres foi fundada em 1870 e atualmente conta com 1300 hectares de vinhedos próprios distribuídos nas regiões de Catalunha, Penedés, Priorato, Ribera del Duero e Rioja, além de vinícolas no Chile e na Califórnia. Nos anos pós -Phylloxera, a região do Penedés apoiava-se na produção de vinhos brancos de Parrelada, Xarel-Lo e Macabeu; nos anos recentes a Torres liderou uma tendência de implantação de variedades brancas internacionais, envelhecendo-as em barricas de carvalho.




  • Pouilly Fumé Le Vin du Desert, 2011, Regis Minet (www.franceoverseas.com): 100% Sauvignon Blanc; estilo Loire, com aromas minerais, pedra molhada, aliada a toques herbáceos (grama cortada) e uma nota defumada; ótima acidez e médio corpo.
    Regis Minet

Regis Minet representa a terceira geração de enólogos da família, que possue uma propriedade de 11 hectares conduzidos em sistema "Lutte raisonnée", que visa, basicamente, a redução do uso de produtos químicos no vinhedo. A colheita é manual, e a vinificação transcorre em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada (menos de 20°C) por 3 semanas, onde após permanece em contato com as borras por 6 meses.
Este vinho tem todos pré requisitos para uma excelente harmonização com pescados brasileiros preparados in natura, ou mesmo uma moqueca capixaba! Hummm!

  • Malhadinha Branco 2011, Herdade da Malhadinha Nova (www.epice.com.br): 50% Arinto, 35% Viognier e 15% Chardonnay. Gostei muito deste vinho! Coloração palha, com aromas de fruta madura e uma nota floral perfeitamente integrados com os aromas de madeira, com final longo e mineral. Imagino-o harmonizando com um Polvo a Lagareiro, que inicialmente é cozido e depois grelhado, acompanhado de batatas ao murro, temperos e azeite...
A Herdade da Malhadinha Nova é uma propriedade familiar, localizada no Alentejo, Portugal, e tem como característica peculiar os desenhos nos rótulos, feitos pelas crianças da família. Como cada uma das crianças "cuida" de um rótulo de determinado vinho, segundo o competentíssimo enólogo Nuno Gonzalez, a cada safra que passa podemos ver a evolução no traço infantil- sensacional!
Isso transmite a paixão e o cuidado que a herdade tem com seus vinhos, todos extremamente bem-feitos. 
Além da magnitude dos seus vinhos, na Malhadinha criam-se, em liberdade, animais de raças autóctones, como o porco preto alimentado 100% de bolota, a vaca e os cavalos puro sangue alentejanos. Para completar, a herdade têm um Country House e Spa, restaurante... é mole? Natureza, excelentes vinhos, boa comida... Vou colocar a Herdade da Malhadinha Nova no roteiro da próxima viagem a Portugal!



  • Roc de Foc 2011, Clos Pons (www.guacira.com.br): 100% Macabeu, este vinho foi a minha maior surpresa... Costers Del Segre é uma D.O. (Denominação de Origem) para vinhos espanhola, localizada na região da Catalunha, subdividida em várias zonas de produção. Clos Pons localiza-se em Les Garrigues, local árido, de baixa pluviosidade, com altitudes variando de 500 a 700 metros e solos pobres, lugar ideal para elaboração de vinhos de alta qualidade.

Este vinho varietal de Macabeu, também chamada Viura em Rioja, foi elaborado cuidadosamente, a começar da colheita manual, seguida pela fermentação espontânea em barricas de madeira e envelhecimento por 12 meses em barricas francesas de 2.000 litros, com uma produção anual de somente 5.000 garrafas. O resultado é um vinho extremamente equilibrado, com aromas de frutas maduras, ótima acidez, contraponto para a sua cremosidade, toques amanteigados e ótimo volume de boca. Final longo...
Obs: a importadora traz atualmente a linha dos vinhos tintos, com planos de trazer os brancos a curto/médio prazo... vou ficar aguardando!




E a título de curiosidade, fazendo justiça a um vinho que procurava degustar há muito tempo, gostaria de mencionar o primeiro Menetou Salon que bebi, do produtor Alan Assadet. Este produtor e sua esposa Véronique cuidam de 10 hectares de terra na região, onde produzem vinhos brancos (2 terços da produção), rosés e tintos. No aroma, fruta, mineralidade, pedra de isqueiro; na boca apresentava ótima acidez e bom corpo. 
Este vinho vem de uma denominação pouco conhecida, porém em sua melhor forma, rivaliza com seus conhecidos e badalados vizinhos Pouilly Fumé e Sancerre, sendo uma conhecida alternativa de preço acessível na França. Uma pena praticamente inexistirem no Brasil. Agradeço a Sandra Vaucel, proprietária da Casa do Vinho Francês em Goiânia (www.facebook.com/acasadovinhofrances), por tê-lo trazido à Expovinis, junto com outros excelentes vinhos.

Estas regiões, não muito distantes de Chablis, são conhecidas por também apresentar afloramentos de solo "Kimmeridgiano", que tem como característica a presença de sedimentos de calcário ricos em conchas, pois na era secundária estavam todas sob o mar. No final do período Jurássico, há cerca de 150 milhões de anos, o mar desapareceu e eis que sobraram estes sedimentos, que transmitem uma característica mineralidade aos vinhos da região.
solo Kimmeridgiano e suas conchinhas...
(www.menetou-salon.com)


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