6 de maio de 2013

Reflexões de um fim de semana...

Fazendo um intervalo entre um evento e outro, e sendo um pouco menos técnico, gostaria de relatar minha experiência sensorial com vinhos do fim de semana, pois este é o espírito do blog, a exploração dos sentidos ligados ao vinho.
Estes sentidos envolvem as não tão óbvias visão, olfato e tato, extrapolam para os menos óbvios ainda paladar, gosto, e culminam com sensações de felicidade e momentos de comunhão com familiares e amigos, fazendo mais que justiça a uma bebida cuidadosamente elaborada para este fim... extrapolando uma descrição técnica.

Sexta feira à noite, queijos sobrando na geladeira... Reblochon, Tallegio, Brie e Queijo de Cabra. Tenho um vinho na mesma geloca colocado no dia anterior: um branco chileno Laberinto Sauvignon Blanc! (www.magnumimportadora.com.br)

Bom, sou suspeito para falar deste vinho... conheci-o numa viagem à Guarapari em 2010; a safra era 2007, porém o vinho apresentava uma acidez e mineralidade incríveis, extremamente gastronômico e versátil à mesa (naquela circunstância "praiana" não poderia ser melhor, a combinação com a moqueca capixaba foi divina...). 
Conheci no ano seguinte Rafael Tirado, o enólogo responsável. Explicou-me sobre o belo e intrigante rótulo (que faz uma alusão aos vinhedos plantados em curvas e diferentes direções), seus métodos de vinificação aprendidos no Loire, suas idéias e conceitos... apresentou-me a nova safra (2011), que ostentava uma acidez nervosa, mas que, segundo seu criador, iria superar a 2007... acho as duas ótimas!
A combinação com queijos não é uma tarefa das mais fáceis para os vinhos... queijos mais ácidos (por ex., cabra) pedem vinhos mais ácidos; queijos mais delicados (como o brie) pedem vinhos mais macios, menos "pungentes". Até aqui entram os brancos secos. Quando começamos a pensar em queijos de sabor mais intenso, podemos tentar a harmonização com tintos mais leves, de taninos macios, do tipo Pinot Noir.
A combinação de queijos azuis com vinhos doces resulta em parcerias indescritíveis (pode tentar!) como o Roquefort e o maravilhoso Sauternes. Numa futura postagem falarei mais sobre queijos e vinhos.
Neste meu caso de sexta- feira, quem se deu bem? Aquele mais perto do vinho... o queijo de cabra! Não tem jeito! A combinação é clássica e não é de hoje... Este chileno de alma francesa, com sua acidez, fruta (senti tangerina no aroma) e mineralidade faz um par perfeito com o fromage de chèvre, como é conhecido na porção leste do Vale do Loire, reino da Sauvignon Blanc.

Sábado...
Risoto de camarão com champignon e raspas de limão siciliano (por minha conta, as raspas... eheh)
Os dois dedos do Laberinto do dia anterior não fizeram feio... mas eu queria experimentar outro vinho e optei por tentar algo diferente...


Este vinho é um Soave, produzido por um dos mais conhecidos e respeitados produtores da região, Pieropan (www.decanter.com.br). Calvarino é o nome deste vinho, feito com um corte de 70% de Garganega (é o nome desta uva) e 30 % de Trebbiano di Soave. Com a mesma graduação alcoólica do Laberinto (12,5%), e uma acidez menor, porém bem equilibrada, este vinho apresentava uma complexidade interessante, com aromas de frutas (abacaxi, melão maduro), floral (camomila), uma nota mineral e um retrolfato remetendo a mel (??). Intrigante não ter sentido as notas cítricas de limão características deste vinho. Evolução?
O fato é que combinou bem com a textura e aromas do risoto...

Domingão do Moscatão

Domingo à noite, divertindo-se com amigos e finalizando a jantar com uma maravilhosa torta de maçã com doçura não pronunciada, na medida certa.

Emerge uma combinação clássica com panetone, o Moscato d'Asti. Este Bosc dla Rei do produtor Beni di Batasiolo certamente não tem a energia do primeiro ano de vida, mas foi uma excelente opção para se despedir do final do fim de semana, com trabalho no dia seguinte. Os aromas remetem a maçã (oba!ajuda a combinar!), laranja e rosas. Me arrisco a dizer que a doçura mais evidente com a queda da acidez "ajudou" a harmonizar com a sobremesa...
Com 5,5% de álcool, estes são vinhos superdivertidos, com sua efervescência discreta (aqui quase ausente) e já li mais de um crítico referindo-se a ele como o vinho do café-da-manhã... eheh


Um comentário:

  1. Esse post deu uma água na boca... Quase consigo sentir todos esses sabores.

    Vctória

    ResponderExcluir