2 de maio de 2013

Gambero Rosso Road Show 2013



Não é necessário ter conhecimento da língua italiana para traduzir literalmente "Gambero Rosso" em "Camarão Vermelho". Além disso, o desenho é auto-explicativo...
A título de curiosidade, o nome deriva de uma passagem do famoso livro Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi:  a Osteria del Gambero Rosso é o local onde a Raposa coxa e o Gato cego jantam com o boneco falante, deixando a conta para Pinóquio.
O que viria a se tornar um ano após sua publicação no mais famoso e renomado guia de vinhos italianos, o Gambero Rosso Vini d'Italia iniciou as atividades como um suplemento de 8 páginas do jornal italiano Il Manifesto em 1986, tendo como autor Stefano Bonilli. Além disso, o suplemento ajudou a difundir a visão do "Arcigola", movimento precursor do Slow Food, que se tornou "parceiro" do guia. O Gambero Rosso tornou-se um grupo editorial poderoso, editando nos anos seguintes uma revista homônima, além de vários outros guias ligados à gastronomia. Em 1999 inaugurou um canal de televisão em parceria com a RAI, e em 2002 inaugurou a primeira de 4 Città de Gusto, um complexo de 10.000 metros quadrados em Roma, que abriga escola de gastronomia, estúdios de TV e wine-bar (as outras unidades localizam-se em Nápoles, Catania e Palermo). Em 2012 foram publicadas as versões digitais do guia de vinhos e do guia de restaurantes (Vini d'Italia e Ristoranti d'Italia), disponível para Iphone, Samsung, Google, Amazon e Windows 8, atualizados em 2013.
O guia classifica somente vinhos italianos selecionados pelos editores como "acima da média", através de um sistema de taças ou bicchieri (1 taça - bom; 2 taças - muito bom; 3 taças - extraordinário); em 2002 foi introduzida uma nova classificação: 2 taças vermelhas, que indicariam vinhos "candidatos" a receber 3 taças, pois estariam num nível acima da maioria que recebeu 2 taças. Devemos salientar que são comparados vinhos de uma mesma região ou denominação de origem. Ou seja, não se compara um tinto da Sicília com outro do Piemonte.




Pois bem, pela segunda vez em São Paulo (6ªedição da turnê mundial) o Gambero Rosso veio com seu Road Show e mais de 50 "Top Wines" (Tre Bicchieri) e mais outros 200 vinhos, dentre os melhores da Itália. A organização ficou a cargo de Cristina Neves, conhecida pela competência na organização dos maiores eventos ligados ao vinho atualmente.

Meus destaques foram:

Espumantes

  • Nino Franco, Prosecco di Valdobbiadene Rustico (www.inovini.com.br): 100% glera, método Charmat; típico e muito bom, já conhecia esse espumante, superior aos proseccos habituais, mas o preço também.
  • Nino Franco, Prosecco di Valdobbiadene Primo Franco (www.inovini.com.br): irmão mais "parrudo" do anterior, também com tipicidade (maçã verde, floral), porém mais complexo.
  • Franciacorta Saten Cuvée 61Brut (www.barrinhas.com.br): 100% chardonnay; método tradicional, com 24 meses de autólise; aromas de fruta (pêra) e um interessante retrolfato floral.
  • Ca'del Bosco, Franciacorta Brut Cuvée Prestige (www.mistral.com.br): Chardonnay 75%, Pinot Bianco 10% e Pinot Nero 15%, método tradicional com 28 meses de autólise; este Franciacorta é um dos melhores representantes da categoria, aromas cítricos, notas florais e de pão (leveduras), é uma excelente introdução aos vinhos deste produtor.

Brancos

  • Vigne Surrau, Vermentino di Gallura Sciala 2011(sem importador): 100% Vermentino; para os que ainda duvidavam do potencial desta variedade, este belo exemplar diferencia-se dos Vermentinos em geral; bom corpo, harmônico, acidez excepcional, aromas complexos, herbáceo, mineral, provavelmente agraciado pelo tempo de maceração a frio antes da fermentação em tanques de aço inoxidável onde realiza amadurecimento por vários meses em contato com as borras.
  • Villa Medoro, Trebbiano d'Abruzzo Chimera 2011(www.tahaavinhos.com.br): 100% Trebbiano, este vinho apresenta bastante frescor, com aromas de frutas tropicais e flores brancas. Outro vinho do mesmo produtor que me chamou a atenção foi o Pecorino 2012 (100% Pecorino); um vinho com boa acidez e mineralidade marcante (porém ainda não está disponível na importadora).
  • Volpe Pasini, Sauvignon Zuc di Volpe 2011 (www.worldwine.com.br): 100% Sauvignon Blanc; não é a toa que foi eleito o vinho branco do ano na Itália em 2012! Belo Sauvignon Blanc, equilibradíssimo, notas herbáceas em harmonia com a fruta...me lembrou vagamente um vinho do Loire...Obs: O Pinot Grigio Ipso de Volpe Pasini também estava excelente, porém acho que este 2007 já está um pouco "cansado", falta um pouco de acidez.
  • Valle Reale, Trebbiano d'Abruzzo Vigna di Capestrano 2010: 100%Trebbiano. diferente de todos os outros brancos, este vinho não é filtrado; o que significa que visualmente apresenta um pequeno grau de opacidade. No nariz, aromas tão exóticos e intensos que lembram queijo, segundo meu amigo e competentíssimo sommelier Aldo Assada. A importadora Zahil (www.zahil.com.br) é responsável pela importação dos outros excelentes vinhos da Valle Reale, porém este branco não é trazido, pela dificuldade de penetração comercial de um vinho branco não filtrado (mesmo na Itália, segundo o gerente de exportação Marco Germani)

Tintos

  • Colle Massari, Grattamacco Bolgheri Rosso Superiore 2009 (www.mistral.com.br); 65% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot, 15% Sangiovese: intenso, aromas de frutas negras, balsâmico, especiarias e uma nota de couro novo
  • Còlpetrone, Montefalco Sagrantino 2007 (www.cantu.com.br): 100% Sagrantino, este tinto da região de Umbria que tem passagem por 12 meses em carvalho francês é impactante, com aromas de frutas negras e vermelhas, notas de especiarias, com taninos e acidez "over"; necessita de tempo de envelhecimento (2-3 anos de adega, durando até 15!).
  • Volpe Pasini, Merlot Focus Zuc di Volpe 2006 (www.worldwine.com.br): 100% Merlot, 12 meses em barricas novas e 12 meses em garrafa, este vinho é, sobretudo, elegante, com notas de frutas maduras e animais, delicioso.
  • La Spinetta, Barbaresco Bordini 2008 (www.vinci.com.br): 100% Nebbiolo: para mim, o melhor de todos que degustei. Esse Barbaresco é ao mesmo tempo elegante e estruturado; aromas de frutas vermelhas maduras, violeta, alcaçuz, rosas, com notas de temperos e terra úmida no retrolfato. Taninos finíssimos presentes, associados uma acidez marcante, o que confere a este vinho potencial de guarda.
É importante ressaltar que alguns vinhos foram trazidos direto pelo produtor, a título de apresentá-los ao mercado brasileiro, bem como safras diferentes das atualmente nas importadoras.

Nos próximos posts, falarei sobre o encontro de vinhos OFF e a Expovinis. Até lá!







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