14 de maio de 2013

Encontro de Vinhos OFF

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www.encontrodevinhos.com.br

Realizado no último dia 23 de abril em São Paulo, o Encontro de Vinhos OFF 2013 ocorreu na Casa da Fazenda do Morumbi; essa relíquia do século XIX foi construída em 1813 por Diogo Antônio Feijó, também conhecido por Padre Feijó, que viria a se tornar Regente do Império em 1834 (época que D Pedro I abdicou, Pedro II tinha 5 anos... lembram -se dos livros de história?).

Bem, a casa foi habitada por diversas famílias paulistanas tradicionais até 1978, quando a Academia Brasileira de Arte, Cultura e História (ABACH) restaurou todo o imóvel, instalou sua sede e transformou o casarão e o jardim do entorno num espaço de cultura e lazer, onde procura promover a Arte, incentivar novos talentos, organizar exposições e eventos culturais.

Segundo Beto Duarte, um dos organizadores do evento em conjunto com Daniel Perches, a idéia do Encontro começou em 2009, quando organizou no Hotel San Raphael, centro de São Paulo, uma feira de vinhos simples, com o sommelier Victor Fernandes.
Em 2010 criou a Expovinhoff, um dia antes da Expovinis, no modelo das feiras off da Europa. Neste mesmo ano, já com Daniel como parceiro repetiu a feira de vinhos no Hotel San Raphael; em 2011 organizou o Encontro de Vinhos OFF, o Encontro de Vinhos no mesmo San Raphael e o Encontro de Ribeirão Preto.
A partir deste ponto o encontro foi crescendo e partindo para outras cidades, como Campinas, Rio de Janeiro, Curitiba e neste ano Belo Horizonte.
Beto Duarte acrescenta que a escolha da Casa da Fazenda do Morumbi traz um charme especial ao evento, pois neste histórico local conseguiram fazer um literal encontro de grandes vinhos com arte e música, indo de encontro com o pensamento (que compartilho) que a dupla têm em relação ao vinho.

E a cada edição o evento fica melhor; neste ano destaque para o credenciamento rápido e eficiente, com manobrista na porta. Água mineral Lindoya à vontade, degustação de queijos Tirolez e restaurante anexo. As atividades culturais em paralelo (pintura, artes cênicas), trouxeram uma descontração especial ao evento.

Como de costume, iniciei o meu trajeto pelos espumantes, com destaque especial a dois produtores de Champagne ainda sem importador no Brasil: Lombard & Cie (www.champagne-lombard.com) e Charles Collin (www.champagne-charlescollin.com)

Dentre os vinhos brancos, destaco um vinho que já conhecia, o Val de Sil 2009, trazido pela Peninsula (www.peninsulavinhos.com.br), da Denominação de Origem (D.O.) Valdeorras, Espanha. Feito com 100% de Godello, apresenta um caráter cítrico e mineral, com untuosidade e bom volume na boca- muito gastronômico!!!!

Passando para os tintos, minhas seleções ficaram com alguns vinhos do Espaço Valpolicella, com 11 produtores, alguns (infelizmente) sem importador no Brasil

- A simpatia de Marica Bonono da Monte de Frà acompanhou a qualidade de seus vinhos, com destaque para o Valpolicella Clássico Superiore e o Amarone Scarnocchio 2008, este último extremamente complexo, com aromas de frutas vermelhas (cereja), alcaçuz, especiarias e uma persistência interminável. Sem importador no Brasil.

- A Tenuta Chiccheri apresentou um Amarone 2007 impressionante, não é a toa que figurou entre os TOP 5 do evento; também procura um importador.

- A Ravin (www.ravin.com.br) trouxe o produtor Antichello na figura de Luciano Begnoni, filho do patriarca Giancarlo. Simpaticíssimo, este italiano apresentou seus vinhos, dentre os quais o Valpolicella mais simples, fermentado em tanques de aço inox, sem passagem por madeira, que se diferencia da maioria dos vinhos desta categoria, com notas de cereja fresca, fácil de beber e custo benefício muito bom (excelente opção para o dia-a-dia). O corte inclui 70% de Corvina, 20% de Rondinella e 10 % de Corvinone.
O Amarone Antichello 2008 foi eleito em primeiro lugar no TOP 5 do evento, segundo júri composto por profissionais, jornalistas e sommeliers. Concordo com o resultado; este vinho está excelente, pronto para beber, redondo... aromas de fruta vermelhas, alcaçuz, tudo que um bom Amarone apresenta... porém, na minha opinião, o melhor vinho do evento foi o Santa Sofia, trazido por Luciano (65% Corvina, 30% Rondinella e 5% Molinara). Este Amarone não entrou na degustação às cegas do júri, pois ainda não é trazido pela importadora. Apresenta uma complexidade incrível, com aromas de cereja passada, chocolate, especiarias, couro, taninos mais elegantes que os Amarones em geral, retrolfato com frutas secas e longo, longo final de boca. Aguardamos com ansiedade sua importação.

Conversando com os produtores, pude constatar que uma boa parte tem substituído a variedade Molinara por outras, como Corvinone, Croatina, Oseleta e Dindarella no corte ou blend dos Amarones, alegando melhores resultados com estas outras uvas e realmente, produzindo exemplares notáveis de Amarones. Contudo, algumas vinhas velhas de clones antigos de Molinara ainda produzem frutos de alta qualidade, com excelentes resultados.
Concluindo, variedades à parte, os resultados dependem muito do produtor.







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